Lançanda nova luz sobre os objetos mais brilhantes do Universo
Os quasares estão entre os objetos mais brilhantes, mais
antigos, mais distantes e mais poderosos do Universo.
Alimentados por buracos negros supermassivos no centro de
galáxias gigantescas, os quasares podem emitir enormes quantidades de energia,
até mil vezes a produção total das centenas de bilhões de estrelas de toda a
nossa Via Láctea.
Astrofísicos da Universidade de Dartmouth, no estado
americano de New Hampshire, escreveram um artigo que será publicado na revista
The Astrophysical Journal, que relata descobertas baseadas em observações de 10
quasares. Eles documentaram o imenso poder da radiação quasar, que se estende
por muitos milhares de anos-luz, até aos limites da galáxia do quasar.
"Pela primeira vez, somos capazes de ver a real
extensão em que estes quasares e os seus buracos negros podem afetar as suas
galáxias, e vemos que é limitada apenas pela quantidade de gás na
galáxia," afirma Kevin Hainline, associado pós-doutorado de pesquisa em
Dartmouth. "A radiação excita o gás por todo o percurso até às margens da
galáxia e só pára quando já não existe mais gás."
A radiação libertada por um quasar cobre todo o espectro
electromagnético, desde ondas de rádio até micro-ondas a baixas frequências,
passando por infravermelho, ultravioleta, raios-X, até raios gama de alta
frequência. Um buraco negro central, também chamado núcleo galáctico ativo,
pode crescer ao engolir material do gás interestelar circundante, libertando
energia no processo. Isto leva à criação do quasar, que emite radiação que
ilumina o gás presente em toda a galáxia.
"Se pegarmos nesta poderosa e brilhante fonte de
radiação no centro da galáxia e detonarmos o gás com a sua radiação, ele é
excitado da mesma forma que o néon nas lâmpadas, produzindo luz," afirma
Ryan Hickox, professor assistente do Departamento de Física e Astronomia em
Dartmouth. "O gás vai emitir frequências muito específicas de luz que só
um quasar pode produzir. Esta luz funciona como um rasto que fomos capazes de
usar para seguir o gás excitado pelo buraco negro até grandes distâncias."
Os quasares são pequenos em comparação com uma galáxia, como
um grão de areia numa praia, mas o poder da sua radiação pode se estender até
aos limites galáticos e além.
A iluminação do gás pode ter um efeito profundo, já que o
gás que é iluminado e aquecido pelo quasar é menos capaz de entrar em colapso
sob a sua própria gravidade e formar novas estrelas. Assim, o minúsculo buraco
negro central e o seu quasar podem retardar a formação estelar em toda a
galáxia e influenciar a forma como esta cresce e muda ao longo do tempo.
"Isto é emocionante porque sabemos, a partir de um
número de argumentos diferentes e independentes, que estes quasares têm um
efeito profundo nas galáxias onde vivem," afirma Hickox. "Existe
muita controvérsia sobre o modo como realmente influenciam a galáxia, mas agora
temos um aspecto da interação que se pode alargar à escala de toda a galáxia.
Ninguém tinha visto isso antes."
Hickox, Hainline e co-autores basearam as suas conclusões em
observações feitas com o SALT (Southern African Large Telescope), o maior
telescópio óptico do Hemisfério Sul. As observações foram realizadas usando
espectroscopia, na qual a luz é dividida nos comprimentos de onda que a
compõem. "Para este tipo particular de experiência, está entre os melhores
telescópios do mundo," afirma Hickox.
Também usaram dados do telescópio espacial WISE (Wide-field
Infrared Survey Explorer) da NASA, que fotografou todo o céu no infravermelho.
Os cientistas usaram observações no infravermelho porque dão uma medida
particularmente fiável da produção total de energia do quasar.
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