Em 1 ano, Curiosity vê indícios de água e vida microbiana no passado de Marte
A sonda Curiosity completa um ano em Marte nesta
terça-feira. Em metade do tempo previsto para sua missão principal, o jipe-robô
já detectou que o planeta pode ter abrigado vida no passado.
"Os sucessos da nossa Curiosity - aquele dramático
pouso um ano atrás e as descobertas científicas desde então - nos levam adiante
na exploração espacial, em direção ao envio de humanos para asteroides e para
Marte", afirma o diretor da Nasa, Charles Bolden. "Marcas de pneus
hoje vão nos levar a pegadas de botas mais tarde".
Entre esses sucessos, quatro descobertas se destacam, de
acordo com Duilia Fernandes de Mello, professora associada da Universidade
Católica da América, de Washington, e pesquisadora associada do Goddard Space
Flight Center, da Nasa: “Inspeção de pedras que parecem ser do leito de um
riacho extinto, confirmação de que Marte teve água no passado, análise da
composição química das rochas marcianas e confirmação de que Marte já teve
condições de abrigar vida microbiana”.
Para esses avanços, a Curiosity coletou 190 gigabits de
dados, enviou 36,7 mil imagens completas à Terra, disparou mais de 75 mil vezes
seu raio laser, perfurou e coletou material de duas rochas e percorreu mais de
1,6 quilômetros de distância.
Primeiro sucesso
Em uma missão desse tamanho, até o pouso pode ser
considerado uma conquista. Da década de 1960 até hoje, a taxa de sucesso do
envio de sondas a Marte fica abaixo de 50%. E a Curiosity não é uma sonda
qualquer: o jipe-robô custa US$ 2,5 bilhões, carrega aparato científico
delicado e pesa quase 1 tonelada. Mesmo assim, após se desvencilhar da nave que
a levou até o planeta vermelho, a representante terrestre atingiu a Cratera de
Gale intacta às 2h32 do dia 6 de agosto de 2012.
Depois da viagem de oito meses e 570 milhões de quilômetros
da Terra até Marte, o trabalho da sonda estava só começando. Seus objetivos
eram claros: analisando o clima, a geologia e a habitabilidade de Marte,
constatar se há ou se já houve vida em Marte e coletar o máximo de dados para
determinar se será viável uma missão tripulada ao planeta vermelho no futuro.
Na Terra, angústia. Imediatamente após o pouso, dezenas de
cientistas do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, na Califórnia,
aguardavam em silêncio o anúncio de que a sonda havia descido com segurança. Em
imagens transmitidas pela agência, ouviram-se os gritos que eclodiram pela sala
ante a confirmação. Braços para o alto, choro, pulos na cadeira, abraços. “Oh
god”, disse um. “Vamos ver até onde a Curiosity vai nos levar”, falou outro.

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