Há 187 anos, nascia astrônomo que descobriu as erupções solares
Em 1º de setembro de 1859, o astrônomo inglês Richard
Carrington estava em seu observatório particular, em Redhill, quando observou
um fenômeno que mudaria a forma como vemos o Sol. Pelo seu telescópio, o
pesquisador notou um forte brilho na nossa estrela, como nunca havia sido
visto.
Dias depois, a Terra sofreu aquela que talvez tenha sido a
mais poderosa tempestade geomagnética já registrada, e Carrington havia
descoberto as erupções solares.
Richard Carrington nasceu em 26 de maio de 1826. Era filho
de um cervejeiro abastado que queria que o rebento seguisse a vida religiosa.
Contudo, o jovem inglês, após terminar os estudos no Trinity College, acabou
por trabalhar no observatório da Universidade de Durham. Em 1852, decepcionado
com a incapacidade do local de conseguir novos equipamentos, decidiu largar o
emprego e usar o dinheiro da família para comprar um prédio no qual colocou um
telescópio de última geração e contratou um assistente.
O observatório particular foi acabado somente em 1854. A
princípio, ele se dedicou a catalogar estrelas - trabalho pelo qual recebeu a
medalha de ouro da Royal Astronomical Society em 1859. Mas o Sol também ficou
na mira de seu telescópio.
O Evento de Carrington
Foi no mesmo ano que recebeu a medalha, mais exatamente em
1º de setembro de 1859, que Carrington fez sua maior descoberta. O britânico
coletava dados com seu telescópio. Como não poderia olhar diretamente para o
Sol pelas lentes - o que seria extremamente perigoso sem um filtro adequado -,
ele projetava a imagem da estrela em uma tela branca. Anotava tudo que podia,
principalmente sobre as manchas solares, um de seus objetos de estudo favorito.
Naquele dia, enquanto coletava dados das manchas, ele
registrou pontos intensamente brilhantes no Sol. O brilho rapidamente ficou
mais intenso, tanto que ele chegou a pensar que havia luz penetrando em algum
buraco da tela, mas como os pontos se moveram junto com as manchas solares, ele
descobriu que realmente saíam do Sol.
Carrington tentou chamar alguém para que testemunhasse com
ele o fenômeno, mas, quando voltou - segundo ele, cerca de 60 segundos depois
-, se surpreendeu ao ver que o brilho havia diminuído. O que ele havia visto
era uma erupção solar, a primeira e maior já registrada. O que veio a seguir
foi ainda mais surpreendente - e ganhou o nome de Evento de Carrington.
Telégrafos em chamas e show nos céus
Cerca de 18 horas depois, o planeta foi atingido por aquela
que pode ter sido a maior tempestade eletromagnética já registrada. Agulhas de
bússolas "enlouqueceram". Não havia rede elétrica na época - que
costuma ser afetada por erupções solares -, mas os operadores de telégrafos
sentiram o impacto. A comunicação cessou, alguns deles levaram choques nas
máquinas e fagulhas fizeram com que o papel em alguns desses aparelhos pegasse
fogo. Conversas trocadas entre os operadores dessas máquinas indicam que elas
continuavam funcionando, mesmo sem bateria, somente com a força da tempestade.
No céu, as auroras boreal e austral foram um espetáculo à
parte - e chegaram inclusive ao Caribe. Tudo resultado de um gigantesco choque
das partículas do Sol com a magnetosfera da Terra. Em Boston, nos Estados
Unidos, a imprensa local relata que moradores achavam que ocorria um grande
incêndio na cidade, já que o céu estava vermelho. Foi somente quando a cor
mudou para verde que os habitantes notaram do que se tratava. Os cientistas
então descobriram a relação entre a erupção solar e as auroras e os estranhos
eventos que ocorreram no nosso planeta.
Carrington divide a descoberta com Richard Hodgson, que, de
forma independente, também avistou e registrou as erupções. Os dois publicaram
o relato no mesmo jornal científico, o Monthly Notices of the Royal
Astronomical Society (em inglês).
Com informações da Nasa e da Administração Oceânica e
Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês).

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