Medição precisa de distância resolve grande mistério astronômico
Os astrônomos resolveram um grande problema na sua
compreensão de uma classe de estrelas que sofrem erupções regulares, medindo
com precisão a distância de um famoso exemplo do gênero.
Os cientistas usaram o VLBA (Very Long Baseline Array) do
NSF (National Science Foundation) e a EVN (European VLBI Network) para
localizar com precisão um dos sistemas variáveis mais observados do céu - uma
estrela dupla chamada SS Cygni - a 370 anos-luz da Terra. Esta nova medição da
distância significa que a explicação para as explosões regulares deste gênero
de objeto, que se aplica para pares semelhantes, também se aplica para SS
Cygni.
"Este é um dos sistemas mais bem estudados do seu tipo,
mas de acordo com a nossa compreensão de como funcionam, não devia ter surtos
explosivos," afirma James Miller-Jones, do Centro Internacional para
Pesquisa em Radioastronomia de Perth, Austrália, ligado à Universidade Curtin.
SS Cygni, na constelação de Cisne, é uma anã branca densa
numa órbita íntima com uma anã vermelha menos massiva. A forte gravidade da anã
branca puxa material da sua companheira para um disco giratório. As duas
estrelas orbitam-se uma à outra em apenas 6,6 horas. Em média, uma vez a cada
49 dias, uma poderosa explosão ilumina o sistema.
Este tipo de sistema tem o nome de nova anã (ou estrela
variável do tipo U Geminorum) e, com base em outros exemplos, os cientistas
propuseram que as erupções resultam de alterações no ritmo a que a matéria se
move através do disco para a anã branca. Em mais altas taxas de transferência
desde a anã vermelha, o disco rotativo mantém-se estável, mas quando a taxa é
inferior, o disco torna-se instável e é submetido a uma erupção.
Este mecanismo parecia funcionar para todas as novas anãs à
excepção de SS Cygni, com base nas estimativas anteriores da sua distância.
Dados recolhidos com o Telescópio Hubble em 1999 e 2004 colocaram SS Cygni a
uma distância de cerca de 520 anos-luz.
"Isto foi um problema. A essa distância, SS Cygni teria
sido a nova anã mais brilhante do céu, e deveria ter massa suficiente,
movendo-se no disco, para manter-se estável sem erupções," afirma
Miller-Jones.
A distância mais próxima medida com radiotelescópios
significa que o sistema é intrinsecamente menos brilhante, e agora adapta-se às
características descritas na explicação padrão para as erupções em novas anãs.
Os astrônomos fizeram a nova medição da distância usando o
VLBA e a EVN, sendo que ambos usam radiotelescópios amplamente separados que
trabalham como um único telescópio extremamente preciso. Estes sistemas são
capazes de fazer as medições mais precisas de posições no céu, disponíveis na
Astronomia.
Ao observar SS Cygni quando a Terra está em lados opostos da
sua órbita em torno do Sol, os astrônomos podem medir a sutil mudança na
posição aparente do objeto no céu, em relação aos objetos de fundo mais
distantes. Este efeito, chamado paralaxe, permite aos cientistas medir
diretamente a distância de um objeto através da aplicação de simples
trigonometria a nível do ensino secundário.
Os radioastrônomos sabem que SS Cygni emite ondas de rádio
durante as suas explosões, por isso fizeram as suas observações após receberem
relatos de astrônomos amadores de que uma erupção estava ocorrendo. Observaram
o objeto durante estes eventos e entre 2010 e 2012.
A diferença nas medições da distância no visível com o
Hubble e no rádio pode ter várias causas, dizem os cientistas. As observações
no rádio foram feitas contra um fundo de objetos bem além da nossa própria Via
Láctea, enquanto as observações do Hubble usaram estrelas da nossa Galáxia como
pontos de referência. Os objetos mais distantes proporcionam uma melhor e mais
estável referência. As observações no rádio, acrescentam, são também imunes a
outras possíveis fontes de erro.
Descoberto em 1896, SS Cygni é um sistema binário popular
entre os astrônomos amadores. De acordo com a Associação Americana de
Observadores de Estrelas Variáveis, desde a sua descoberta nunca nenhuma erupção
deixou de ser observada. Já foram registada quase meio milhão de vezes, e as
variações no seu brilho cuidadosamente seguidas, o que o torna num dos objetos
mais intensamente estudados do século passado.
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Deixe seu comentário... (: