A estrela mais distante já observada?
Quão distante está a estrela mais longínqua que conseguimos
observar? Youichi Ohyama (Academia Sinica, Taiwan) e Ananda Hota (Centro UM-DAE
para Excelência nas Ciências Básicas, Índia) podem ter uma resposta.
Usando observações ópticas e ultravioletas de vários
instrumentos, a dupla identificou o que pode ser a estrela mais distante já
observada espectroscopicamente - a uns vertiginosos 55 milhões de anos-luz de
distância.
O objeto é uma fonte compacta chamada SDSS
J122952.66+112227.8, uma bolha brilhante e azulada na cauda gasosa e grumosa da
galáxia IC 3418, com 55.000 anos-luz de comprimento. IC 3418 está caindo na
direção do aglomerado de galáxias de Virgem, e é provavelmente formada devido à
pressão dinâmica do quente meio intra-aglomerado, que arranca o frio gás
galáctico em queda.
O brilho da cauda em comprimentos de onda ópticos e
ultravioletas sugere que as estrelas estão se formando dentro do seus
invólucros, e por isso Ohyama e Hota decidiram observá-los em mais detalhe.
Usando o espectrógrafo FOCAS acoplado ao Telescópio Subaru e imagens de
telescópios terrestres e espaciais, a dupla descobriu que SDSS J1229 não tem
muitas das linhas de emissão esperadas numa região de formação estelar. Em vez
disso, as suas impressões digitais espectrais coincidem com a emissão de uma
supergigante azul, uma estrela do tipo-O, massiva e quente, que chegou ao fim
da sua fase de fusão de hidrogênio.
É impossível determinar se a sua emissão é proveniente de
uma ou várias estrelas, mas os autores pensam que uma única supergigante azul
seria brilhante o suficiente para explicar as características. A confirmação
vai demorar: os instrumentos atuais simplesmente não têm a resolução necessária,
por isso os astrônomos terão que esperar pelo planeado Telescópio de Trinta
Metros ou por outros futuros parentes gigantes.
"No meu ponto de vista, não é realmente importante
saber se existe uma supergigante ou mais estrelas desse tipo," afirma
Mattia Fumagalli (Universidade de Leiden, Holanda), que concorda que pelo menos
uma tal estrela deve estar presente para explicar as características
espectrais. "O estudo mostra claramente que a espectroscopia estelar de
estrelas super-luminosas vai ser viável às distâncias do enxame de Virgem, onde
as condições são muito diferentes das que temos na nossa Via Láctea."
Normalmente, a formação de estrelas ocorre em nuvens
moleculares gigantes, vastos complexos gasosos e frios, onde nós densos
colapsam sob a sua própria gravidade para formar estrelas. As caudas amontoadas
de IC 3418 e um punhado de outras galáxias são diferentes. Estas nuvens estão
abalroando plasma com temperaturas 1 milhão de graus superiores, a milhares de
quilômetros por segundo. Nestes ambientes a turbulência pode ser mais
importante do que a gravidade, com remoinhos formando densas pepitas gasosas
que podem arrefecer rapidamente e colapsar para formar estrelas. O estudo de IC
3418 e ambientes similares pode ajudar os astrônomos a melhor compreender a
formação estelar nestes locais excêntricos.
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Deixe seu comentário... (: