Curiosity não deve achar vestígios de vida em Marte, diz cientista
O robô Curiosity da Nasa abriu o caminho para demonstrar que
Marte e a Terra já foram iguais, mas será muito difícil que esta missão dê o
grande salto de encontrar vestígios de vida no planeta vermelho, afirmou Javier
Gómez-Elvira, diretor do Centro de Astrobiologia (CAB) da Espanha.
"O objetivo do Curiosity é saber se Marte foi parecido
com a Terra no princípio (de sua evolução)", explicou o cientista à
Agência EFE em Viena, durante sua participação na Assembleia-Geral da União
Europeia de Geociências, que termina nesta sexta-feira.
Depois do discurso em uma apresentação dos últimos dados
coletados pelo veículo explorador Curiosity, Gómez-Elvira disse que essas
semelhanças, como a presença de uma atmosfera apta para a vida ou a presença de
água na superfície, levam a acreditar que poderia ter havido vida em Marte.
Assim, o planeta vermelho seria "outro bom candidato
para ver se o que aconteceu na Terra pode acontecer em outro ponto do Sistema
Solar".
No entanto, para o chefe do CAB, um centro misto do
Instituto Nacional de Técnica Aeroespacial (Inta) e do Conselho Superior de
Investigações Científicas (CSIC) não é provável que a missão do Curiosity dê
maiores surpresas nesse sentido.
"Seria uma casualidade muito grande se houvesse esse
salto", entre outras coisas porque "ele também não possui
instrumentos" para isso, explicou. Assim, o Curiosity fica encarregado de
dizer se "Marte e a Terra foram parecidos".
"Espera-se que o próximo "rover", que a Nasa
vai enviar, em 2020, dê um passo além e tente buscar vestígios de vida",
disse, confiante, Gómez-Elvira. Para essa missão de 2020, o CAB apresentou o
Solid, um instrumento mais focado à detecção de vida microbiana e que espera
que seja aceito pela Nasa.
Em relação às últimas análises realizadas pelo Curiosity na
atmosfera de Marte, Sushil Atreya, da Universidade de Michigan, indicou, em
entrevista coletiva, que ela apresenta mais evidências de que há milhões de
anos foi muito mais grossa e rica e tinha as condições perfeitas para um mundo
habitável. Em um processo que durou cerca de 4 bilhões de anos, Marte perdeu
entre 85% e 95% de seu volume, afirmou.
O Curiosity chegou a Marte em agosto de 2012 para investigar
a história meio ambiental na cratera de Gale, onde se acredita que um dia já
houve as condições apropriadas para a existência de vida microbiana.
A Assembleia-Geral da União Europeia de Geociências reunirá
até o dia 12 de abril cerca de 10 mil participantes que debaterão os mais
variados assuntos como a mudança climática e seus custos, as últimas
descobertas relacionadas a recursos naturais ou possíveis avanços no
prognóstico de terremotos.
Um dos campos da atualidade que se tratarão é o do polêmico
"fracking", ou fratura hidráulica, pelo crescente desenvolvimento
dessa tecnologia para explorar o gás de xisto.

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