Meteorito verde pode ser de Mercúrio
De acordo com o cientista Anthony Irving, que anunciou os
seus achados o mês passado na 44.ª Conferência de Ciências Planetárias e
Lunares no Texas, EUA, a rocha verde encontrada em Marrocos o ano passado pode
ser o primeiro visitante do planeta mais interior do Sistema Solar.
O estudo sugere que a rocha espacial denominada NWA 7325
pode ter vindo de Mercúrio, e não de um asteroide ou Marte.
NWA 7325 é na realidade um grupo de 35 amostras de
meteoritos descobertos em 2012 em Marrocos. São antigos: Irving e a sua equipe
determinaram que as rochas têm uma idade aproximada de 4,56 bilhões de anos.
"Pode ser uma amostra de Mercúrio, ou pode ser uma
amostra de um corpo menor que Mercúrio, mas que é parecido com Mercúrio,"
declarou Irving durante a sua palestra. NWA 7325 pode ter sido expelido de
Mercúrio até à Terra por um grande impacto, acrescenta.
Irving é professor de Ciências Terrestres e Espaciais da
Universidade de Washington e estuda meteoritos há anos. Mas o meteorito NWA
7325 é diferente de qualquer outro encontrado na Terra.
Os meteoritos de Marte contêm traços da atmosfera marciana,
o que os torna um tanto ou quanto simples de distinguir das outras rochas
espaciais. As rochas de Vesta, um dos maiores asteroides do Sistema Solar,
também são quimicamente distintas, mas NWA 7325 não se assemelha com qualquer
rocha espacial documentada pelos cientistas.
Irving acha que o meteorito foi criado e eventualmente
ejetado de um planeta ou outro corpo que tinha fluxos de magma na sua
superfície, em algum momento da sua história. As evidências sugerem que a rocha
pode ter sido formada como "escória" na parte superior do magma,
realça Irving.
NWA 7325 tem uma intensidade magnética menor - o magnetismo
passa do campo magnético de um corpo cósmico para uma rocha - do que qualquer outra
rocha já encontrada. Os dados enviados pela sonda MESSENGER da NASA, atualmente
em órbita de Mercúrio, mostram que o baixo magnetismo do planeta assemelha-se
com o encontrado em NWA 7325.
As observações da MESSENGER também forneceram Irving com mais
evidências para suportar a sua hipótese. Os cientistas familiarizados com a
composição geológica e química de Mercúrio pensam que a superfície do planeta é
muito pobre em ferro. O meteorito também é pobre em ferro, sugerindo que de
onde quer que tenha vindo, o seu corpo-mãe é parecido com Mercúrio.
Embora a primeira missão estendida da MESSENGER tenha já
acabado, a equipe fez um pedido para continuar a estudar o planeta com a sonda
durante os próximos dois anos. Se a missão for prolongada até 2015, os dados
enviados pela sonda podem contribuir para validar ou invalidar as ideias de
Irving sobre a origem do meteorito. Apesar da descoberta de meteoritos de
Mercúrio ser menos provável do que a descoberta de meteoritos de Marte (na
Terra), é ainda possível, conclui Irving.
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