Astrônomos descobrem novo tipo de supernova
Astrônomos descobriram um novo tipo de supernova, uma
explosão estelar tão fraca que os cientistas a apelidaram de explosão estelar
em miniatura.
As supernovas representam a morte de estrelas, que colapsam
em poderosas explosões. São geralmente classificadas em dois tipos principais;
a nova classe, denominada Tipo Iax, "é essencialmente uma
mini-supernova," afirma Ryan Foley, pesquisador principal da equipe que
fez a descoberta e astrônomo do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica.
"É o elemento mais fraco do grupo das supernovas."
As supernovas são as mais poderosas explosões estelares
conhecidas pela Ciência, visíveis por todo o Universo. O primeiro dos dois
tipos, as supernovas Tipo Ia, ocorrem após a morte de uma estrela anã branca
devido ao desvio de demasiada massa de uma estrela companheira. Em contraste,
as supernovas Tipo II ocorrem após o núcleo de uma estrela com 10 a 100 vezes a
massa do Sol ficar sem combustível e colapsar num aglomerado extremamente denso
em apenas uma fração de segundo, expelindo radiação para fora.
Em 2002, os pesquisador começaram a notar que muitas das
supernovas pareciam ser semelhantes com as normais supernovas do Tipo Ia, mas
que eram nitidamente mais fracas. Algumas brilhavam com apenas 1% do pico de
luminosidade das supernovas do Tipo Ia. Agora, com base em observações novas e
também antigas, Foley e colegas identificaram 25 exemplos do que chamam de supernovas
do Tipo Iax. "Este é realmente um novo tipo de explosão estelar,"
afirma Foley.
Os dados recolhidos pelos cientistas sugerem que, tal como
uma supernova do Tipo Ia, uma supernova do Tipo Iax é originária de um sistema
binário que contém uma anã branca e uma companheira estelar. Nas supernovas do
Tipo Iax, a estrela companheira aparentemente já perdeu o seu hidrogénio
exterior, deixando-a dominada por hélio. As anãs brancas, de seguida, acumulam
o hélio das suas estrelas companheiras.
Ainda não está claro o que exatamente acontece durante uma
supernova do Tipo Iax. O hélio na camada exterior da estrela companheira pode
passar por fusão nuclear, despoletando uma onda de choque na direção da anã
branca que a faz detonar. Por outro lado, explica Foley, todo o hélio
"roubado" pela anã branca pode alterar a densidade e temperatura no
seu interior, forçando o carbono, o oxigênio e talvez o hélio dentro da anã a
fundir-se, provocando uma explosão.
Em qualquer dos casos, parece que em muitas supernovas do
Tipo Iax, a anã branca sobrevive à explosão, ao contrário das supernovas do
Tipo Ia, em que as anãs brancas são completamente destruídas.
"A estrela é golpeada e ferida, mas pode
sobreviver," salienta Foley. "Não temos a certeza do porquê de apenas
parte da estrela poder ser destruída. Este é um problema difícil que estamos
atualmente a tentar desvendar."
Foley calculou que as supernovas do Tipo Iax são três vezes
menos comuns que as supernovas do Tipo Ia. A razão de termos detectado tão
poucas supernovas do Tipo Iax até agora é que as mais tênues têm apenas um
centésimo do brilho das de Tipo Ia.
"As supernovas do Tipo Iax não são raras, são apenas
ténues," afirma Foley. "Há mais de mil anos que os humanos observam
supernovas. Durante todo este tempo, esta nova classe tem-se escondido nas
sombras."
Até agora, não foram descobertas supernovas do Tipo Iax em
galáxias elípticas, que estão repletas de estrelas velhas. Isto sugere que
estas supernovas são provenientes de sistemas estelares jovens.
Espera-se que o futuro Telescópio LSST (Large Synoptic
Survey Telescope) no Chile seja capaz de detectar 1 milhão de supernovas
durante a sua vida útil, o que significa que pode descobrir mais de 10.000
supernovas do Tipo Iax - aproximadamente o número de supernovas do Tipo Ia já
descobertas até hoje, realçam os pesquisadores.
"Existe também a possibilidade de haver supernovas do
Tipo Iax próximas que podemos observar para obter mais respostas,"
acrescenta Foley. "Nós precisamos de mais dados, como por exemplo a
frequência com que uma estrela perde metade da sua massa estelar, ou um décimo.
Atualmente, não temos estatísticas para responder a algumas destas
questões."
Os cientistas explicam os seus achados num artigo aceite
para publicação na revista Astrophysical Journal.
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